Objetivo do relatório
O Polling Average pondera pesquisas eleitorais de diferentes institutos para estimar, a cada rodada, o resultado provável do 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026.
A lógica é simples: uma única pesquisa carrega o erro amostral e o viés metodológico daquele instituto específico.
Combinar várias pesquisas, com pesos que privilegiam as mais recentes e as de amostra maior, reduz o ruído de qualquer pesquisa isolada.
Este relatório documenta a metodologia consolidada, os dados usados na rodada de 24/09/2026, o resultado, a série histórica desde 29/08/2026 e as ressalvas do método.
Metodologia
O modelo aplica duas etapas de ponderação a cada pesquisa que entra na rodada.
Peso por recência.
Cada pesquisa perde peso com o tempo por decaimento com meia-vida de 14 dias:
peso_recência = 0,5^(dias/14)
“Dias” é a distância entre o ponto médio do campo da pesquisa e a data de referência da rodada.
Peso por tamanho de amostra.
Multiplica-se pela raiz quadrada da amostra normalizada por 2.200:
peso_amostra = √(N/2.200)
A raiz evita que institutos com amostra muito maior, como a AtlasIntel (N = 5.014), dominem desproporcionalmente a média. N grande reduz o erro amostral, mas não corrige o viés metodológico.
O peso final é o produto dos dois:
peso = peso_recência × peso_amostra
Cálculo do 1º turno.
Com esses pesos, calcula-se a média ponderada de Lula e de Flávio e, separadamente, o resíduo — soma dos demais candidatos —, usando só os institutos que publicam a quebra completa.
Rebaseamento.
Os três valores — Lula, Flávio e resíduo — são rebaseados a 100, excluindo indecisos, brancos e nulos do denominador. É o mesmo critério que o TSE usa para apurar votos válidos.
Transferência do resíduo.
O resíduo rebaseado é distribuído entre os dois candidatos do 2º turno por uma taxa histórica de 63,5% para o 2º colocado do 1º turno e 36,5% para o líder, calibrada a partir das eleições com 2º turno desde 1989, com dados oficiais do TSE.
Dois modelos, uma checagem.
O resultado final compara dois caminhos independentes:
* Modelo A: o modelo de transferência acima.
* Modelo B: a ponderação direta dos números de 2º turno que os próprios institutos já medem em cada rodada, usando os mesmos pesos.
A convergência entre A e B funciona como teste de consistência do método a cada rodada.
Critério de seleção dos institutos
A partir da rodada de 24/09/2026, três critérios de admissão passaram a valer:
* Só institutos de abrangência nacional.
* Exclusão de institutos cuja coleta é feita por robô ou aplicativo sem entrevistador, caso da Veritá, por não captar bem as classes D e E.
* Exclusão de mercados de previsão do tipo “Sim e Não”, como o Polymarket, que não são pesquisas de opinião.
A aplicação desses critérios revelou um padrão adicional, tratado como nota metodológica, não como critério de exclusão automática.
Institutos de coleta presencial, como Alfa Inteligência e CNT/MDA, mostraram, rodada após rodada, uma vantagem de Lula bem maior que o consenso: diferenças de 10 a 14 pontos no 1º turno, contra 1 a 5 pontos nos demais institutos.
Institutos de coleta digital ou por aplicativo, como AtlasIntel e PoderData/Aya, carregam o risco inverso: sobre-representar um eleitorado mais conectado e mais favorável a Flávio.
Por isso, a Alfa Inteligência foi excluída da base principal. Seus dados desatualizados, de julho, agravavam o problema. A CNT/MDA foi mantida só como teste de sensibilidade.
A AtlasIntel e a PoderData/Aya permanecem na base, com a ressalva registrada.
Dados-base da rodada de 24/09/2026
Instituto Campo N Peso Lula 1T Flávio 1T Resíduo
Datafolha 22–24/09 2.002 0,954 40% 36% 17%
Gerp* 14–16/09 2.400 0,669 37% 40% 16%
PoderData/Aya 13–16/09 3.000 0,730 37% 36% 21%
Quaest 10–13/09 2.004 0,514 36% 31% 16%
Indexa/Broadcast 10–13/09 2.000 0,513 38% 34% 14%
BTG/Nexus 04–07/09 2.002 0,382 39% 35% 22%
* A Gerp também publica um corte de “votos válidos”: Lula 40%, Flávio 44% e resíduo 16%. O modelo usa aqui o corte de “votos totais”, no mesmo formato dos demais institutos — ver o teste de robustez na seção de ressalvas.
A soma ponderada de Lula, Flávio e resíduo nas seis pesquisas fica em 91,18%. O saldo implícito de brancos, nulos e indecisos é, portanto, de cerca de 8,8%.
É exatamente essa diferença que o rebaseamento a 100, descrito na metodologia, absorve.
Resultado da rodada de 24/09
Modelo A — transferência do resíduo.
1º turno rebaseado a 100:
* Lula: 41,65%.
* Flávio: 39,11%.
* Resíduo real: 19,26%.
Aplicando a taxa 63,5/36,5:
Flávio 51,34% × Lula 48,68%.
Modelo B — ponderação direta do 2º turno medido pelos institutos.
Flávio 50,73% × Lula 49,27%.
Convergência.
A diferença entre os dois modelos é de 0,6 ponto, dentro do ruído esperado do próprio processo de agregação.
Essa proximidade é o teste de consistência do método nesta rodada: não há necessidade de reponderar ou revisar a taxa de transferência.
Teste de robustez.
Substituindo a Gerp pelo corte de “votos válidos” que ela mesma publica — Lula 40%, Flávio 44% e resíduo 16%, em vez de 37%/40%/16% em votos totais —, o resultado do modelo A muda para:
Flávio 51,41% × Lula 48,59%.
A diferença é de 0,07 ponto, sem relevância prática.
Série histórica
A evolução do 2º turno projetado pelo modelo, com a taxa de transferência uniforme de 63,5/36,5 recalculada retroativamente para todas as rodadas:
Rodada Lula Flávio
29/08 49,45% 50,56%
03/09 49,06% 50,93%
09/09 49,54% 50,47%
16/09 50,73% 49,27%
24/09 48,68% 51,34%
Flávio aparece na frente em quatro das cinco rodadas.
A única inversão foi em 16/09, atribuída a uma distorção pontual da base de institutos daquela rodada, que incluía a Alfa Inteligência desatualizada.
Leitura da tendência
Entre 29/08 e 24/09, período de 27 dias, Lula caiu de 43,24% para 41,65% no 1º turno rebaseado. Uma queda de 0,06 ponto percentual por dia.
Flávio caiu de 39,75% para 39,11%: 0,02 ponto percentual por dia, um ritmo bem mais lento.
O resíduo, puxado sobretudo por Augusto Cury, cresceu no mesmo período, absorvendo a queda de ambos os candidatos.
Isso significa que a disputa entre Lula e Flávio não está se decidindo por transferência direta de um para o outro, e sim pela migração de parte do eleitorado dos dois para as candidaturas de terceira via.
Esse movimento torna a taxa de transferência do resíduo no 2º turno a variável mais sensível do modelo nas próximas rodadas.
Ressalvas e limites do método
* A meia-vida de 14 dias é uma convenção razoável, não calibrada com dados brasileiros.
* Não há ajuste sistemático de viés por instituto (house effect), por falta de uma série histórica longa o suficiente de cada casa.
* O resultado é sensível à escolha do conjunto de institutos. Incluir a CNT/MDA na base, mantida hoje só como teste de sensibilidade, inverteria o resultado a favor de Lula.
* O resultado é robusto à ambiguidade do corte de “votos totais” × “votos válidos” da Gerp: a diferença entre os dois cortes é de 0,08 ponto, sem relevância prática.
* A taxa de transferência do resíduo, 63,5/36,5, foi calibrada com eleições passadas. Ela pode não se repetir da mesma forma em 2026, sobretudo se o resíduo continuar crescendo à custa dos dois principais candidatos, como mostra a seção anterior.
Conclusão
Na rodada de 24/09/2026, o Polling Average projeta Flávio Bolsonaro na frente por 51,34% × 48,68%. Uma margem de pouco menos de 3 pontos, dentro do que a maioria das pesquisas individuais chama de empate técnico.
Os dois modelos independentes — transferência do resíduo e ponderação direta do 2º turno já medido pelos institutos — convergem. Isso dá confiança à direção do resultado, não à sua magnitude exata.
O dado mais sólido da série não é o placar de uma rodada isolada, e sim a tendência: Flávio está na frente do modelo desde 29/08, com uma única inversão pontual em 16/09.
A leitura correta até aqui é de disputa acirrada com leve vantagem de Flávio, não de vitória projetada para nenhum dos dois lados.
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